4. INTERNACIONAL 18.7.12

1. INVESTIGAR, NADA
2. O REBELDE DE BATINA

1. INVESTIGAR, NADA
O governo boliviano reagiu mal, mas os jornais e a oposio reforam suspeitas contra ministro de Morales.

     Nas ltimas linhas da reportagem de VEJA sobre a visita do ministro da Presidncia da Bolvia Juan Ramn Quintana e da ex-miss e diretora da Agncia para o Desenvolvimento das Macrorregies e Zonas Fronteirias em Beni, Jssica Jordan,  casa do narcotraficante brasileiro Maximiliano Dorado, em Santa Cruz de la Sierra, no dia 18 de novembro de 2010 (A Repblica da cocana, 11 de julho), afirma-se que o presidente Evo Morales tem sistematicamente ignorado as denncias feitas contra membros de seu governo. Ele se nega a investig-las. Em vez disso, tenta-se punir os mensageiros, lia-se na reportagem de VEJA. Dito e feito. Na semana passada, a cpula boliviana, liderada por Quintana, reagiu  reportagem com ameaas de processo judicial. Nenhuma palavra de Morales,  claro, sobre averiguar os fatos descritos no relatrio da unidade de inteligncia da polcia boliviana, cujo contedo foi revelado por VEJA. Jssica, que segundo os agentes bolivianos acompanhou Quintana no encontro com Dorado, disse que estava em outro lugar no momento da reunio, sem dar detalhes. Nenhuma das revelaes foi desmontada. Na semana passada, veculos de imprensa e polticos bolivianos validaram muitas delas.
     Na tera-feira 10, o jornal El Da, de Santa Cruz de la Sierra, e a Rdio Fides bateram  porta do imvel apontado como sendo a casa do brasileiro Max. Ao consultarem a Fora Especial de Luta contra o Narcotrfico (FELCN), que cuida do local, descobriram que o endereo era mesmo do traficante. No mesmo dia, deputados indgenas pediram explicaes ao governo, e o senador Bernard Gutirrez declarou que ele e o colega Roger Pinto, atualmente refugiado na embaixada brasileira em La Paz, entregaram em 2011 o relatrio citado por VEJA ao presidente boliviano Evo Morales. Pinto depois foi acusado de liderar uma conspirao contra Morales, apesar de o documento ter sado de dentro do prprio governo e do partido do presidente, o MAS. Na quarta-feira passada, Morales e Quintana anunciaram a substituio de seu embaixador em Braslia. Quem assumir  o socialista Jerjes Justiniano, um ex-reitor de universidade sem experincia diplomtica. Segundo o prprio, sua primeira tarefa ser sentar a mo em VEJA. Muito sutil, embaixador.


2. O REBELDE DE BATINA
O bispo de Xangai renuncia  chefia da Associao Catlica Patritica, a Igreja do Partido Comunista que no  reconhecida pelo Vaticano, e  preso. Outros podem seguir seu exemplo.

     Ao nascer na China, um beb de famlia catlica automaticamente passa a fazer parte da Associao Catlica Patritica Chinesa, a verso da Igreja que segue os preceitos do Partido Comunista. Nas missas, seus 6 milhes de fiis escutam semanalmente pregaes incentivando o amor  ptria, mas jamais ouvem alguma condenao aos abortos praticados no pas. Muitos dos padres so casados. Embora a essncia da doutrina e as liturgias sejam as mesmas, a Associao sempre viveu em conflito com o Vaticano, que se recusa a admitir a influncia do regime comunista no interior das igrejas. Afinal, no se deve dar ao partido o que  de Deus. A forma corriqueira como essas desavenas afloram  no no reconhecimento pelo Vaticano dos padres e bispos nomeados pela Associao. No raro, alguns religiosos aceitos pelo Vaticano so presos, e parquias rebeldes, fechadas. H duas semanas, a briga ganhou uma nova verso. Pela primeira vez, um bispo que estava sendo preparado para liderar a Associao Patritica recusou a misso. Seu nome  Tadeu Ma Daqin, de Xangai. Depois de anunciar que deixaria o cargo na Associao durante uma missa e de ser ovacionado, ele foi preso e enviado para o monastrio de Sheshan, nos arredores da cidade. Seu ato de rebeldia abre um precedente que deve ter assustado muito o Partido Comunista, diz o padre jesuta canadense Michel Marcil, que pregou em Taiwan. O medo  que outros bispos sigam o exemplo de Ma Daqin.
     O primeiro registro do cristianismo na China  do sculo VII. Um texto cravado em pedra narra a chegada de um monge srio  cidade de Xian. Na revoluo comunista de Mao Ts-wng, em 1949, seus adeptos foram perseguidos e todas as religies, proibidas. O alvio veio com as reformas de Deng Xiaoping. A Constituio de 1982 permite o culto a cinco religies, mas probe qualquer influncia estrangeira. Para praticarem a f com o consentimento do Vaticano, os chineses devem faz-lo de forma clandestina.  comum marcarem piqueniques em que rezam a missa, dividem o po, bebem o vinho e, s ao final da celebrao, para dar credibilidade ao disfarce, comem os quitutes trazidos de casa. Outros encontros so marcados em casas de famlia, nas quais todos os fiis se conhecem e no h risco de infiltrados. Os chineses esto revivendo aquilo que os cristos sofreram nos tempos das catacumbas romanas, diz Marcil. As comunidades catlicas clandestinas tm o dobro do nmero de fiis da igreja ligada ao PC. Elas se reforam com a ousadia de Ma Daqin. 

